 |
| Painel do artista urbano Grud coberto por propaganda política. Imagem disponível no perfil do artista no Facebook. |
Pesquisadora: Alessandra Oliveira
Orientadora: Ercília Braga
Banca de qualificação: Cavalcante Júnior e Glória Diógenes
A pesquisa de doutorado Muros que Falam está ligada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da UFC, teve início em 2013 e consiste em investigar o graffiti e a cidade de Fortaleza sob três dimensões, descritas a seguir:
A primeira dimensão consiste em pesquisar se os artistas urbanos usam o graffiti para biografar-se e se o graffiti pode se percebido como uma experiência formadora. Para isto, vou trabalhar com a abordagem
metodológica da pesquisa (auto)biográfica, respaldada em autores como Josso
(2004), Ferrarotti (1988) e Dolory-Momberger (2008). Usarei o procedimento de
pesquisa intitulado entrevista narrativa, com base em Jovchelovitch e Bauer
(2005), com artistas urbanos da cidade de Fortaleza.
A segunda dimensão
desse trabalho será a pesquisa de campo, com o objetivo de perceber como os graffitis são incorporados na dinâmica
da cidade. Nesta etapa, serão escolhidos três pontos da cidade em que existem
painéis dos grafiteiros pesquisados e será feita uma pesquisa etnográfica que irá
observar, durante um semestre, as alterações nos painéis e a relação dos
transeuntes com os graffitis.
Interessa aqui fazer uma discussão sobre a cidade como campo comunicacional, tomando
como referência autores como Campos (2010) e Samain (2012), onde histórias se
intercruzam e formam uma narrativa urbana.
A terceira dimensão da
pesquisa é perceber como as produções dos grafiteiros analisados encontram
desdobramentos na internet, criando conexões com outros artistas urbanos de
outras cidades, complexificando as tramas que envolvem a produção do graffiti, e como o ciberespaço pode
servir como prolongamento do tempo de vida das obras urbanas. Aqui a questão da
narrativa no espaço virtual, como os grafiteiros usam as redes sociais para
biografar-se e como o ciberespaço amplia as redes de conexão, assim como
explica a teoria do ator-rede, serão investigados com base em autores como
Latour (2012).
Referências
CAMPOS, Ricardo. Porque
Pintamos a Cidade? Uma Abordagem Etnográfica ao Graffiti Urbano. Lisboa:
Fim de Século, 2010.
DELORY-MOMBERGER,
Christine. Tradução de Maria da Conceição Passeggi, João Gomes da Silva Neto,
Luis Passeggi. Biografia e educação: figuras
do indivíduo-projeto. Natal: EDUFRN, São Paulo: PAULUS, 2008.
FERRAROTTI, Franco. Sobre a autonomia do
método biográfico. In: NÓVOA, António; FINGER, Matthias (Org.) O
método (auto)biográfico e a formação: Cadernos de Formação, n. 1,
1988.
JOSSO, Marie-Christine; tradução José
Cláudio e Júlia Ferreira. Experiência
de Vida e Formação. São Paulo: Cortez, 2004.
JOVCHELOVITCH, Sandra.; BAUER, Martin
W.. Entrevista narrativa. In: BAUER, M. W. GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som. Tradução: Pedrinho
Guareschi. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.
LATOUR, Bruno. Reagregando o Social: uma introdução à Teoria do Ator-Rede.
EDUFBA, Salvador, 2012.
SAMAIN, Etienne. (org.) Como pensam as imagens. Campinas, SP:
Editora da Unicamp, 2012.